1 de set de 2015

[Resenha] IRON MAIDEN - "The Book of Souls" (2015)

(Editor / Redator / Músico)
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Como já era esperado, o 16º álbum de estúdio da banda IRON MAIDEN, o aguardado "The Book of Souls" "vazou" antes do lançamento, para delírio dos fãs que estavam sedentos após tanta propaganda. Todos queriam, inclusive eu, ouvir como estava soando a banda e, principalmente, o vocalista Bruce Dickinson após a divulgação do mesmo ter gravado o álbum com um câncer na língua sem saber, agora devidamente erradicado.
Pois bem, passado o frenesy do "vazamento", eu preciso fazer as minhas considerações, já que é uma banda que faz parte de minha vida, afinal, foi com "7th son..." que eu descobri o metal, que me colocou no mundo do rock. Porém. ao invés de comentar cada música, como alguns estão fazendo, vou destacar os prós e contras do álbum, comentando o que achar relevante.

PRÓS
- É que a banda conseguiu mais mais vez lançar um álbum atraente, mantendo sua essência primordial, apesar de alguns chamarem de "desgastado", "Repetitivo", vê-se o quão longe da banda estão, e o que eu tenho a dizer é: E daí? Tanta banda aí se "reinventando" e lançando merda... a vida é curta... Mas enfim...
- O álbum abre parecido com "The Final Frontier" com um monólogo (cantado) de Dickinson, o que jé me deixa muito contente, pois sua voz, apesar de tudo, não está ruim, cansada talvez. A música é "If Eternity Should Fail", uma das melhores do álbum. Quando entra o instrumental, os duetos (ou tríade) de guitarras no começo já me fazem vibrar e arrepiar dos pés a cabeça, a música é uma mistura de influência setentista e uma atmosfera dos álbuns solo de Bruce. O refrão é simplesmente matador!
- "Speed of Light", primeiro single, agradou de cara! Ela traz de volta aquele MAIDEN dos anos 80, com velocidade, riff marcante e refrão grudento. Além disso, ganhou um videoclipe incrível, veja abaixo.
- Finalmente uma música rápida! "When the River Runs Deep", que lembra um pouco de "Man on the Edge", alterna momentos mais arrastados no refrão.
- Outra favorita minha é "Death of Glory". Que sonzeira! Bem ao estilo dos primórdios do MAIDEN, um clima meio "Twilight Zone" moderno.
- Adrian Smith e Dave Murray destroçando como sempre em solos incríveis. Nico variando um pouco mais em suas levadas, porém mantendo sua marca e Steve Harris com um timbre destruidor.
- Não foi Steve Harris que produziu, o que deixa a sonoridade do álbum muuuito melhor.



CONTRAS
- A capa... Ela é simplória demais, levando em conta os incríveis trabalhos sendo lançados, até mesmo no Brasil e também por se tratar do IRON MAIDEN... . Maaaas, pelo que vi em algumas imagens, o trabalho interno está incrível. Só me resta esperar até chegar o físico em minhas mãos pra ter certeza.
- Duração das músicas. Muitas frases e climas repetidos incessantemente e sem pudor, algumas variações desnecessárias que poderiam diminuir pela metade músicas como "The Red and the Black", com um trecho instrumental de mais de 4 minutos de duetos e variações repetitivos. Outra coisa achei péssimo foi a introdução bizarra de baixo acústico, me soou meio amador. O mesmo caso acontece em, "The Book of Souls", que é enigmática e mística. é uma ótima música, mas peca pelos excessos de dobradinhas e riffs.
- Os agudos do Bruce soam sofridos e "estrangulados" em muitos momentos, mas daí a gente pensa no que aconteceu e deixa passar... mesmo porque, na maior parte do play, ele está arregaçando.
- "Tears of the Clown" é muito chata... ela até começa bem, mas evolui para uma música monótona, principalmente em seu refrão. Esperava mais dela depois da propaganda que fizeram ao se tratar de uma homenagem a Robin Willians.
- Esperava de "Empire of a Clouds" uma música épica, como "Rime... " ou "7th Son...", mas o que temos é mais uma música repleta de exageros e excessos. A música não é ruim, mas não precisava de 18 mins, já que com pelo menos a metade dos temas eles já haviam passado mensagem.
Janick Gers... Não é de hoje que não gosto de seu estilo de tocar. Seus solos são um emaranhados de barulhos sem sentido. Notaram como ele sempre começa uma frase com um bend? O solo dele na faixa título e na "Shadows of the Valley" (que é o pior) é bem o exemplo disso.... Ele deve ser um cara muito, mas muito legal pra ainda estar na banda, ou tem muitas ações da marca, por outro lado, não vejo outro motivo para estar no MAIDEN, sinceramente...

Em suma, "The Book of Souls" mantém um direcionamento musical que vem desde "Fear of the Dark", e mesmo com todos os "contras", ainda é um álbum relevante na discografia e também na lista dos lançamentos internacionais por ainda manter vivo a chama de um dos últimos gigantes que ainda caminham sobre a Terra. Mostra uma banda focada e segura, com instrumentistas que ainda tem muita lenha pra queimar. Agora nos resta esperar o que o IRON MAIDEN vai aprontar em suas apresentações ao vivo.

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IRON MAIDEN - "The Book of Souls" (2015)
Tracklist
CD01
01. If Eternity Should Fail
02. Speed Of Light
03. The Great Unknown
04. The Red And The Black
05. When The River Runs Deep
06. The Book Of Souls
CD02
01. Death Or Glory
02. Shadows Of The Valley
03. Tears Of A Clown
04. The Man Of Sorrows
05. Empire Of The Clouds

Line-up
Bruce Dickinson - vocal
Dave Murray - guitarra
Adrian Smith - guitarra
Janick Gers - guitarra
Steve Harris - baixo
Nico MacBrain - bateria