9 de jul de 2017

SHADOWSIDE: Dani Nolden - “Nós estamos vivendo nosso melhor momento, sem dúvida."

Um dos maiores nomes do metal brasileiro, a banda SHADOWSIDE, está prestes a lançar um novo trabalho, “Shades of Humanity”, que já é considerado o melhor trabalho do grupo até o momento. Conversamos, mais uma vez, com a vocalista DANI NOLDEN. Ela falou do novo álbum, do momento que a banda vive, do novo baixista MAGNUS ROSÉN e muito mais. Vale conferir!


HEAVYNROLL - Antes de começar a nossa conversa, quero agradecer, em nome do Heavynroll, por conceder-nos essa entrevista:

DANI - Eu que agradeço pelo espaço!

HEAVYNROLL - Depois de 6 anos, a banda vai lançar seu mais novo álbum: "Shades of Humanity". O que vamos encontrar nesse álbum? O que os fãs podem esperar?

DANI - “Shades of Humanity” é o nosso melhor material até agora. Sei que sempre digo isso, mas é o que acho de verdade (risos). É um álbum ainda mais pesado e agressivo que o “Inner Monster Out”, mas com melodias ainda mais trabalhadas, nós exploramos bastante tanto os riffs pesados, nervosos e as músicas diretas quanto o lado mais musical, com arranjos mais detalhados e refrãos mais marcantes. Eu estou muito feliz com o “Shades of Humanity”, o pessoal da banda também, o FREDRIK NORDSTRÖM, nosso produtor, sentiu que esse álbum é um passo acima com relação ao nosso trabalho anterior. Foi composto de forma totalmente espontânea e nos representa completamente! Experimentamos bastante coisa nele sem deixar de lado nossas raízes.

HEAVYNROLL - Porque o álbum foi produzido no estúdio Fredman, na Suécia?

DANI - Nós nos entendemos muito bem com o FREDRIK NORDSTRÖM e o HENRIK UDD, a equipe que trabalhou conosco na produção do “Inner Monster Out”. Antes de trabalharmos com eles, trabalhamos com algumas pessoas muito competentes, mas que não entenderam completamente o que nós queríamos alcançar, nem como extrair o melhor de nós. Tanto o FREDRIK quanto o HENRIK souberam exatamente como chegar até os nossos limites. Eles são sinceros, nos dizem na cara quando algo não está legal e isso era fundamental para nós. 

Não queríamos produtores que nos dessem tapinhas nas costas e elogios, precisávamos que eles fossem nossos primeiros e mais rigorosos críticos, dessa forma poderíamos melhorar as composições antes que fosse tarde demais. Eles também sabem fazer com que a banda tenha a melhor performance musical possível, sem qualquer tipo de pressão. 

No “Inner Monster Out”, sentimos que a gravação fluiu muito bem com eles e quando começamos a compor o “Shades of Humanity”, achamos que essa parceria tinha tudo para funcionar de novo. Eles são muito competentes, nos entendem como músicos e como pessoas, ajudam a direcionar nosso trabalho sem influenciar nossa forma de compor. Além disso, o som que eles tiram é simplesmente fantástico, único, e um álbum nunca sai igual ao outro.


HEAVYNROLL - O novo álbum é considerado o melhor trabalho do grupo até o momento, como foram as gravações?

DANI - Foram rápidas, tranquilas, sempre em um clima bastante leve! Finalizamos as gravações em 20 dias. Já estávamos com quase todo o álbum composto quando começamos a gravar, mas ainda faltava finalizar muitos detalhes e a música “Insidious Me” sequer tinha refrão. Só que como todos estavam motivados e entusiasmados com o trabalho, todos esses últimos detalhes foram saindo naturalmente e a gravação correu sem qualquer tipo de problema. Foi a gravação mais legal que fizemos e parte disso é porque o clima dentro da banda estava excelente. 

A outra parte foi causada pela própria música. Todos nós estávamos muito animados com esse trabalho novo. Chegamos lá felizes com o que criamos, porque é algo que realmente gostamos de tocar, então gravar era sempre algo agradável. Acho que isso acabou influindo no resultado final do álbum, o “Shades of Humanity” deixa bem evidente que nós estamos tocando aquelas músicas com gosto.



HEAVYNROLL - Fiquei sabendo que "Shades of Humanity" traz temas polêmicos e profundos. Quais são esses temas?

DANI - Depressão, aborto, o desastre de Mariana, uma conversa de Deus com a humanidade. Não precisa ter uma religião pra curtir essa música, um ateu também vai curtir porque ela não fala de religião, essa música é simplesmente o que eu acho que um criador, se existe um, diria para a humanidade hoje. Acho que Ele diria que nós entendemos tudo errado, que estamos fazendo tudo errado e que estamos destruindo tudo aquilo que é perfeito sem os seres humanos, e que não era pra ser assim, porque nós nascemos com potencial pra sermos melhores que isso. Essa é a faixa “Beast Inside”.

E então vêm as outras faixas, como “Stream of Shame”, que fala sobre o desastre de Mariana e como ganância, sede de poder e corrupção são capazes de destruir uma cidade inteira, matar a natureza e deixar as pessoas na miséria, sem suas casas.

What If” fala sobre aborto, mas não julgando quem faz ou quem não faz. A música não é pró-vida, nem pró-aborto, não critica mulher, nem homem, nem defende um ponto de vista. Ela é só mais um ponto de vista a ser considerado nessa questão tão delicada e difícil: a do feto. E se ele pudesse dizer alguma coisa? E se ele fosse capaz de sentir? Muitas vezes, as mulheres ou os casais ficam em dúvida sobre o que fazer, sobre que decisão tomar. Essa música apenas dá mais um ponto de vista para que as pessoas possam tomar suas decisões... ou talvez para confundir ainda mais. Mas um assunto tão sério precisa ser visto de todos os ângulos, então eu escrevi imaginando o que um feto poderia dizer ou pensar... essa é a tradução de “What If”: ‘E se’.

“Shades of Humanity” é um álbum que reflete sobre os valores morais da humanidade e sobre a capacidade que temos tanto da crueldade quanto da mais pura bondade.

HEAVYNROLL - No álbum vamos ter a estreia do baixista MAGNUS ROSÉN. Como foi a adaptação dele ao grupo? Como vocês chegaram a essa escolha? Será um membro fixo da banda? Ou só para o novo álbum e a próxima tour?

DANI - Nós sempre admiramos o trabalho do MAGNUS e o conhecemos quando tocamos na Suécia em 2013 com o HELLOWEEN. Foi uma conversa rápida, nos apresentamos, ele assistiu ao show, mas não mantivemos contato, porém ele sempre foi um músico por quem nós temos um respeito enorme! Então, quando estávamos pensando nas gravações do “Shades of Humanity”, pensamos em chamá-lo para gravar o álbum. Fizemos o convite, ele aceitou e tanto as composições quanto as conversas correram tão bem que acabamos decidindo convidá-lo pra ser membro da banda e ele aceitou! Eu considero o MAGNUS um dos melhores baixistas do mundo e ele se encaixou na música do SHADOWSIDE incrivelmente bem!

É claro que nunca sabemos o dia de amanhã, um novo álbum ainda está muito distante pois vamos lançar o “Shades of Humanity” agora em setembro no Brasil, mas o MAGNUS é um membro efetivo da SHADOWSIDE e temos toda a intenção de fazer mais álbuns com ele. Ele já faz parte da banda, compôs duas músicas para o “Shades of Humanity” e discute as ideias e planos conosco normalmente. Ele realmente “vestiu a camisa”. MAGNUS sempre demonstra tanta felicidade e gratidão por estar na SHADOWSIDE, da mesma forma que eu, o RAPHAEL e o FABIO somos gratos por ele estar na banda, então isso uniu bastante o grupo.

HEAVYNROLL - Outra atração do álbum é a participação do guitarrista do ANDY LA ROCQUE. Como foi a participação dele?

DANI - O ANDY LA ROCQUE é amigo do MAGNUS e eles tinham algumas músicas prontas que o MAGNUS achou que combinavam bem com a SHADOWSIDE. E realmente combinavam! Trabalhamos em duas delas, o FABIO e o RAPHAEL trabalharam em alguns arranjos, eu fiz as melodias e letras, depois todos nós juntos finalizamos os últimos detalhes e fizemos mais algumas modificações, acabou ficando uma composição do MAGNUS ROSÉN com o ANDY LA ROCQUE com um toque do restante da banda e, no final das contas, tudo ficou bem SHADOWSIDE: pesado e direto! 

E o LA ROCQUE nunca quis nada em troca, ainda gravou um solo curto na música “Unreality”. Foi uma honra ter a participação dele no álbum, não só por causa dessa breve participação como guitarrista, mas principalmente como compositor.

HEAVYNROLL - Em breve vamos ter um videoclipe da música “Alive”, que será o single deste novo trabalho da SHADIWSIDE? Quando será o lançamento desse clipe?

DANI - O clipe será lançado no dia 17 de julho e já tem um teaser online no nosso site oficial www.shadowside.net

HEAVYNROLL - A capa de "Shades of Humanity" é outra coisa que chama a atenção. De quem é a arte?

DANI - A arte é do DOUGLAS JEN, artista da Furia Music, que faz um trabalho bem voltado ao surrealismo. A arte que ele desenvolveu representa perfeitamente bem o tema do álbum, com os desenhos das pessoas incompletas e marcadas, representando a imperfeição que faz parte da nossa natureza. A capa representa as “Shades of Humanity”, que significa “Tons de Humanidade” e representa todos os tons de cinza da moralidade humana.


HEAVYNROLL - O lançamento vai ser 26 de julho no Japão, 28 de julho na América do Norte e Europa, no Brasil será dia 04 de setembro, os shows começam na sequência? Como está a agenda da banda?

DANI - Eu espero que sim! Estamos conversando com os organizadores de shows e espero que a gente possa confirmar datas em breve. O plano é tocar tanto ou mais do que tocamos na turnê passada.

HEAVYNROLL - Ainda não aconteceu um convite de algum produtor, para banda tocar no Rio Grande do Sul? Pois a banda tem muitos fãs aqui no Sul.

DANI - Já recebemos contatos de organizadores do Rio Grande do Sul, o grande problema tem sido a distância e os custos da viagem. Nosso país é tão grande que às vezes fica mais caro viajar por aqui do que ir para o exterior. Nós queremos demais tocar no Rio Grande do Sul, especialmente porque só estivemos aí uma vez e foi bem no comecinho da banda, muita coisa mudou desde aquela época! Estamos abertos a convites, com certeza!

HEAVYNROLL - Hoje em dia, as mulheres estão invadindo o rock ‘n roll, coisa que antigamente, era muito pouco. Existem bandas e artistas talentosas demais. Qual a tua opinião sobre isso? Há que se deve essa “invasão”?

DANI - Acho que as mulheres simplesmente estão se interessando mais pelo rock e pelo heavy metal, e isso naturalmente se traduz em mulheres querendo fazer som. Além disso, antigamente, muitas mulheres se sentiam inibidas e evitavam fazer atividades consideradas masculinas, ou trabalhar em meios que “só tem homem”. As mulheres de uma geração anterior eram assim. Minha mãe é assim, ela deixou de fazer diversas coisas, vários cursos, mesmo com incentivo da família, porque só tinha homem na sala de aula e ela não se sentiria confortável. Hoje, o pensamento é outro e dificilmente uma mulher deixa de fazer alguma coisa porque é considerado masculino, se ela gosta, ela faz. Não são poucos os exemplos de mulheres talentosas na música, mas eu imagino que ainda estamos em menor número no rock porque só há pouco tempo percebemos que não existe música masculina e feminina. Música não tem gênero.


HEAVYNROLL - Da demo “Shadowside” de 2001 até "Shades of Humanity" de 2017, podemos dizer que a banda vive seu melhor momento? Era isso que vocês imaginavam que iriam alcançar, como banda? Ou tem muito mais objetivos pela frente?

DANI - Nós estamos vivendo nosso melhor momento, sem dúvida. Mas nem de longe imaginávamos isso. Não dava pra imaginar que faríamos turnês em 30 países, que faríamos o lançamento mundial de 4 álbuns, que alcançaríamos as listas de mais vendidos e mais tocados em países como Estados Unidos e Japão... isso tudo era sonho de adolescente, mas eu não achava de verdade que era possível. 

Toda a história da SHADOWSIDE é um sonho realizado! Só que isso não significa que não temos mais objetivos... sempre é possível melhorar, então se chegamos até aqui, podemos pensar em subir mais degraus. Mas não arrisco a dizer quais podem ser, porque eu já imaginei que essas coisas que vivemos hoje eram impossíveis, então vai saber o que o futuro nos reserva (risos).

HEAVYNROLL - Um recado para os fãs e leitores do Heavynroll:

DANI - Espero que curtam o novo álbum, visitem o nosso site www.shadowside.net e confiram o novo clipe dia 17! Muito obrigada pelo espaço e pelo apoio, nos vemos em breve na estrada!



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