21 de março de 2011

[Resenha] URIAH HEEP - "Demons & Wizards" / "The Magicians Birthday" (1972)

[Resenha] Por Marco Paim

Uriah Heep - Demons & Wizards (1972)
 
Hoje vamos voltar no tempo quase 40 anos, para 1972, um ano de extrema criatividade, pelo menos para o Uriah Heep, que neste mesmo ano soltou os 2 melhores discos de sua fase David Byron (*29.01.1947 /+28.02.1985). Estou falando de "Demons & Wizards" e "The Magicians Birthday", lançados em Abril e Setembro de 72 respectivamente.
Dois dos melhores álbuns da história do Progrock pesado, daqueles em que você o curte por inteiro e percebe o quanto a banda "estava afim" da coisa. Enfim, o resultado da sequência de um crescimento musical demonstrados nos 3 álbuns anteriores e que culmina no ápice de uma carreira gloriosa até então.
"Demons & Wizards", o trabalho mais conhecido do Uriah Heep e já abre com a espetacular "The Wizard", uma balada pesada que começa com um dedilhado de violão (afinado em C) pra lá de inspirado, e uma das melhores músicas de toda a história da banda. Em seguida "Traveler in Time" e "Easy Livin´" trazem um som pesado e bem rock, com tudo na medida certa, a segunda, a mais conhecida da banda, é um verdadeiro clássico do rock, regravada por muitas bandas de metal inclusive.
Logo após vem "Poet´s Justice", que abre com uma sequencia de acordes vocais, aliás, o trabalho vocal é uma marca registrada do Uriah Heep desde sua concepção, onde todos cantavam, inclusive o baterista (Lee Kerslake). mas o destaque mesmo ficava por conta de David Byron e Ken Hensley, que além de tecladista, é guitarrista era o principal compositor da banda até a sua saída em 1980.
Depois vem "Circle of Hands", que é introduzida por um Hammond numa sequência de acordes de arrepiar. É outra balada pesada e umas das músicas que está até hoje no repertório da banda.
Logo depois vem a sombria e sinfonica "Rainbow Demon", um som arrastado e pesado, com uma linha vocal emocionante e melódica, principalmente no refrão, onde temos novamente o coro harmonioso da banda toda.
"All My Life" é mais fraca do álbum, mas tem o seu valor, ela é meio ao estilo de "Traveler in Time" e mais "rockizinha" do disco.
Mais é aí que o Gran finale do álbum, "Paradise" e "The Spell" são duas músicas que se fundem formando uma grande e emocionante canção. "Paradise" abre novamente com um violão afinado em C e tem um trabalho incrível de baixo, cortezia do saudoso Gary Thain (*15.05.1948 / +08.12.1975). O vocal de David é incrível nesta música, e lá pelos 3:25 min, há um dueto espetacular entre Byron e Hensley, onde cada um canta uma estrofe até a o som fundir-se com "The Spell" em uma espécie de túnel sonoro. Neste momento o som vira quase um rockabilly e mais adiante volta a um clima mistico com um tema de Mick Box (guitarra) com slide inspiradíssimo.

Uriah Heep - The Magicians Birthday (1972)


"Sunrise" abre "The Magicians Birthday", outro clássico da banda ainda executada em shows 40 anos depois e inclusive regravada pelo vocalista atual, Bernie Shaw. Ela começa com um hammond que vai crescendo até chegar ao clímax onde uma orda de vocais preenchem tudo dando aquele ar de ópera. Uma linda balada pesada, com uma letra pra lá hippie. Logo em seguida vem a "Spider Woman" ao estilo "Easy Livin´", é daquelas músicas rocker e bem pra cima, repleta de trocadilho e um refrão pegajoso.
"Blind Eye" é um som semi acústico, com levadas de violão cadenciado e duetos de guitarras. É uma das minhas preferidas deste álbum.
"Echoes in the Dark" é um som sombrio, lento, progressivo e F** pra C**, ela tem um tema de guitarra e baixo que arrepia, além de um clima de piano e vocal que dá até medo. Mas é lá pelos 2:43 mim de música que ela realmente emociona, uma "cama" de acordes vocais dão sustentação a uma melodia de Byron que é de chorar.
Depois vem "Rain", uma das mais lindas músicas do Uriah Heep e do próprio Ken Hensley, que a regravou em seu álbum solo "Proud Words On A Dusty Shelf" de 1973. Executada somente com piano e voz, é um som muito inspirado e sublime. Essa música ganhou uma versão mais pesada da Fermatha (The True) na Demo "Advent of the Truth" em 2004.
"Sweet Lorraine" é uma música que se perdeu no tempo, ela casa muito com os anos 70, recheada de moog´s e hammonds exagerados e é uma grande música, mas que até a banda a deixou de lado na década seguinte.
Neste disco a banda explorou bastante os temas progressivos e acústico, como em "Tales" que é uma sonzeira. Ela tem um clima sombrio e mistico e muito bom de se ouvir, principalmente pelo dueto contínuo de vocais entre Byron e Hensley em toda a música. Linda!!!
O álbum, pelo menos o original, pois hoje temos versões com bonus e tudo o mais, acaba com a faixa título "The Magicians Birthday". Sabe aquelas músicas esquisitas? Pois bem, essa é uma delas. O riff de guitarra é esquisito, o baixo é esquisito, o teclado é esquisito e até a melodia vocal é esquisita. Ela parece ter sido gravada em uma grande jam session da banda. Mas a coisa fica ainda mais estranha aos 1:48 mim, onde a banda começa a clássica "happy birthday to you..." em uma harmonia pra lá de sinistra, e mais adiante aos 4:15 há um solo de guitarra apenas sustentado pela bateria, uma viajem só. Nessa os caras fumaram alguma coisa antes de gravar...
É isso, são 2 álbuns que eu recomendo a quem quer conhecer um som realmente de bom gosto. Rock pesado de alta qualidade mas injustiçado pela mídia e ao mesmo tempo reconhecido como uma das grandes influências de bandas de metal e prog metal, uma banda cool!!

Uriah Heep - Demons & Wizards (1972)

01 - The Wizard
02 - Traveller In Time
03 - Easy Livin'
04 - Poet's Justice
05 - Circle Of Hands
06 - Rainbow Demon
07 - All My Life
08 - Paradise
08 - Paradise

Uriah Heep - The Magicians Birthday (1972)

01 - Sunrise
02 - Spider Woman
03 - Blind Eye
04 - Echoes in the Dark
05 - Rain
06 - Sweet Lorraine
07 - Tales
08 - The Magicians Birthday


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