19 de abril de 2011

[Resenha] QUEENSRYCHE - "Operation: Mindcrime" (1988)


Esse sem dúvida é um dos melhores álbuns conceituais de hard/metal de todos os tempos e também o auge de uma das melhores bandas de metal/prog/hard do planeta. "Previsivelmente imprevisível", o QUEENSRYCHE é uma daquelas bandas de difícil rotulação, cada álbum é diferente do outro, tem a sua identidade e algo novo para mostrar, mas com certeza o rock está sempre presente. 

Inicou sua história como uma banda de heavy metal tradicional influenciada por Iron Maiden, Judas Priest e Black Sabbath, lançando o primeiro Ep em 1984, e seguiu a mesma linha no ano seguinte com "The Warning" onde alcançou um certo reconhecimento, gravando inclusive um vídeo no Japão. Depois veio "Rage For Order" em 1986, onde foram enxertados elementos eletrônicos e sintetizadores típicos deste ano. Um disco além do seu tempo em suas composições e já começava a influênciar ouitras bandas e músicos, principalmente pela voz única e peculiar de Geoff Tate e seu incrível alcance agudo, que teve como seu fã declarado o grande Michael Kiske (ex-Helloween).

Foi então em 1988 que a banda chegou ao cume de sua carreira com o aclamado "Operation: Mindcrime", um álbum conceitual de extrema qualidade e composições muito bem trabalhadas e produzidas, que elevou o QUEENSRYCHE ao nível de banda global.

O álbum abre com "I Remeber Now" uma breve introdução retrógrada da história em que o personagem se vê acordando em um quarto de hospital e as lembranças do que vem a seguir ficam evidentes. Logo depois vem "Anarchy X" uma das introduções mais perfeitas que já ouvi, ela te dá a exata sensação de estar começando um filme. 

Então vem "Revolution Calling" e começa toda a historia. A interpretação impecável e a maturidade vocal de Geoff Tate fica evidente já nas primeiras linhas da letra, você praticamente é jogado para dentro da trama. Já na primeira música também fica evidente o entrosamento musical dos integrantes da banda. Você persebe cada nota colocada pensadamente no seu devido lugar.

Na sequência vem "Operation: Mindcrime", "Speak", "Spreading of Desease", três músicas empolgantes e refrões marcantes, neste momento você já está praticamente envolvido e é cúmplice de toda a história.

Se você já está emocionado até aqui, o que vem a seguir é ainda mais surpreendente, a reviravolta que acontece e o caminho que a trama toma te deixa de queixo caído em "The Mission" e "Suite Sister Mary", além de deixar uma grande questão no ar*. A segunda acredito ter sido a melhor música composta pelo Queensrÿche em toda a sua história, os caras estavam realmente inspirados neste momento. Com orquestrações e corais o som toma proporções épicas, e os créditos vão para o incrível guitarrista Chris DeGarmo, um cara de extremo bom gosto além da participação especial de Pamela More, que interpreta Mary com maestria.

Depois em "The Needle Lies" temos uma música rápida que lembra muito o Iron Maiden em um metal 80`s puro, seguida de "Breaking the Silence" e "I Don´t Believe in Love" que trazem o hard rock "macho" com refrões empolgantes e, de certa forma, bem comercial.

O álbum fecha com uma das músicas mais importantes da carreira da banda, "Eyes of Stranger", um som pesado com muita influência do rock progressivo, com um dos melhores refrões do heavy metal, e que se tornou referência para quem passa a conhecer o QUEENSRYCHE além de "Silent Lucidity". Outro som épico perfeito para um finalizar um disco tão empolgante e emocionante.



*Resumo da história:

A trama é centrada em quatro personagens pertencentes a uma organização criminosa: o líder, Dr. X; o viciado Nikki; Padre William, cuja Igreja é usada como fachada para operações ilegais; e Irmã Mary, uma ex-prostituta tirada das ruas. O enredo inclui lavagem cerebral, tráfico de drogas, aspectos sujos da religião e política, assassinato e etc.... No resumo da ópera, a organização começa a ruir quando Nikki se apaixona por Mary e a recíproca se torna verdadeira. A freira era obrigada a manter relações sexuais com Padre William, e o garoto acaba se tornando uma ameaça ao esquema do Dr. X. Assim, este manda matá-la.

A questão "Quem matou Mary?" que foi tida como um grande mistério pela banda por 18 anos só foi respondida quando houve o lançamento de "Operation: Mindcrime II" em 2005. Neste mesmo ano a banda saiu en turnê tocando os 2 "Mindcrime`s" na íntegra, com direito a cenário de palco e a caracterização dos personagens, e o público pôde conferir enfim o desfecho chocante e inesperado da opera rock.

Enfim, esse eu recomendo, sem sombra de dúvidas!

NOTA - 10-M
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QUEENSRYCHE - Operation: Mindcrime (1988)
(EMI)

01 - I Remember Now
02 - Anarchy X
03 - Revolution Calling
04 - Operadtion: Mindcrime
05 - Speak
06 - Spread of Desease
07 - The Mission
08 - Suite Sister Mary
09 - The Needle Lies
10 - Electric Requien
11 - Breaking the Silence
12 - I don´t Believe in Love
13 - Waiting for 22
14 - My Empty Room
15 - Eyes of Stranger

Formação
Geoff Tate - voz, teclados
Chris DeGarmo - guitarra
Michael Wilton - guitarra
Eddie Jackson - baixo
Scott Rockenfield - bateria



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Postado Por 
MARCO PAIM


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