20 de novembro de 2011

[Resenha] FAITH NO MORE: No SWU 2011


[Resenha] Por Marco Castelan
“Porra, caralho”. Foi assim que Mike Patton embalou o finalzinho de SWU 2011, fazendo todos aqueles que aguentaram a overdose de boa musica, entoar as duas palavrinhas como se fossem uma espécie de senha para ter acesso ao concerto final do evento. Com o cenário que mais parecia um altar umbanda, o Faith No More entrou na lista dos shows mais emblemáticos e.. bizarros, que o mundo já viu. Quem abriu o espetáculo da banda, foi um poeta pernambucano - “traficante de livros" - que, enrolado por uma bandeira de seu estado, pregava um apelo por reforma governamental, a arte a preço de banana e de forma dramática, sua história pessoal envolvendo a literatura. Ao decorrer da introdução nada convencional, murmúrios de um país apolítico já clamavam para que a banda subisse ao palco, deixando o poeta um pouco nervoso e pressionado, mas que acabou por conseguir deixar seu legado de “porra, caralho. Porra, caralho”.

Depois do fim do concerto para lá de nostálgico do Alice in Chains, com seu novo vocalista William DuVall, que não poupou a voz ao lado de Jerry Cantrell, o que restou das felizardas 70 mil pessoas fez transbordar o palco energia, onde o grupo californiano Faith No More iria encerrar  de forma estarrecedora - integrantes vestidos de branco, enfeitados com grandes colares umbanda - a segunda, mas não última, edição do SWU, que já tem em contrato Paulínia como local do festival em 2012. Com o peso de uma galera que já havia se deliciado com Down, Sonic Youth, Primus, Megadeth, Stone Temple Pilots e Alice in Chains, os malucos do FNM não poderiam deixar de fazer algo mais imprevisível e excitante do que fizeram. Miike Patton, que tem como charme sua petulância erradicada, abriu o espetáculo com "Woodpecker from Mars", do disco “The Real Thing”, depois detonou “From Out of Nowhere”, “Last Cup of Sorrow”, “Caffeine” e “Evidence”, essa cantada em um português entendível e.. sonolento. Em “Midlife Crisis”, Mr. Patton faz a galera gastar voz ecoando um “you’re perfect, yes, it’s true.. but without me you’re only you” em um uníssono perfeito. Depois da porrada de seis músicas endereçadas ao ouvido dos fãs, Mike mostrou o porque da sua imagem pitoresca intelectual, conversando sem muitos esforços com a platéia, em bom português: “tudo bien? no? com esso tempo do méérda..!”, se referindo ao clima chuvoso que acinzentou Paulínia no dia 14, mas que não tirou a animação do pessoal. 

Em um show divertido, Patton dá sequência com “Cuckoo for Caca” e logo em seguida o teclado de Roddy Bottum prenuncia “Easy” para deleito dos fãs. “Surprise! You’re Dead” anima, emendada por “Ashes to Ashes”, do ótimo “Album of the Year”. Em “The Gentle Art of Making Enemies”, Patton se mostra incontentado com as câmeras da Globosat e literalmente dá um chega para lá no cameraman, cantando “I wanna hear your very best excuse” e de forma amadora, mas divertida, transmite o show alternando entre o palco e público até cair do banquinho e resolver se jogar para a galera, ganhando banhos carinhosos de Heineken. Patton se divertia, ao seu modo, mas fazia um show delicioso, e em “King for a Day”, todos podemos entender as súplicas do poeta nordestino quando Patton retorna ao palco e profere: “does palavras: porra, caralho”, e a encaixa minuciosamente no arranjo musical. De volta ao palco, o pernambucano faz um dueto poético com Patton, finalizando com a frase: “a solução do mundo tá na alma, no artista”, e um grande abraço seguido de um beijo estalado de Patton na bochecha do poeta. Bizarrices a parte, a volta ao setlist cria nostalgia com “Epic”, talvez a música mais marcante do Faith No More, e “Just a Man”, que “encerra o festival”, ganha novos traços com o coral de Heliópolis, formado apenas por meninas. Mas em mais de uma vez Mr. Patton apronta com seu público. Depois de anunciar o término do show, mandando “beijócas” para a galera, a banda retorna ao palco para apresentar a desconhecida música tocada no estádio Malvinas, em Buenos Aires no ultimo dia 8, que repercutiu como uma música inédita de um novo álbum que pode vir por aí. Para fechar oficialmente o festival o Faith No More ainda tocou “Digging the Grave” e “This Guy’s in Love with You” cover de Burt Bacharach, muito bem executado, finalizando um evento gigantesco, que como definiu muito bem Mike Patton: “du caralho!”.

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