13 de novembro de 2011

[Resenha] PEARL JAM: 11.11.11 - Porto Alegre

[Resenha] Por Marco Castelan
Com o cenário protagonizado pelas estrelas, a noite não poderia ter um rumo diferente. Mas quem protagonizou na terra, foi Eddie Vedder e sua turma, que detonaram 32 músicas em 3 horas sem fim. A noite começou por Caxias mesmo, as 15h, com um ar de ansiedade a galera vestia camisetas idolatrando não só o Pearl Jam, mas outras muitas bandas que os influenciaram como os Ramones, The Who ou de bandas que são influenciadas até hoje como Red Hot. “Todos a bordo”, e a viagem de uma noite sem fim toma traços grossos, pois em poucas horas estaríamos todos abarrotados no estádio do Zéquinha, zona norte de Porto Alegre, detonando as pernas e a voz. E apesar das conversas infindáveis com meu colega de aventuras Lucas Henz Gomes, a viagem parecia mais uma tortura para aqueles todos que pegaram a estrada apenas para ver os remanescentes do Grunge de pertinho. Mas isso não desmotivou nem um pouco, apenas aumentou o nervosismo e expectativa que eu carregava desde que conheci a banda pelo documentário Hype!, e desejava ficar a distância tosca de tão pequena que poderia ser vê-los ao vivo.

Ao nosso lado esquerdo o Monumento ao Laçador, um prenúncio de que estávamos chegando em Porto Alegre. A essa altura a ficha foi caindo, quando camisetas e mais camisetas, faixas e lembranças da noite já infestavam envolta ao Estádio Passo D’Areia, como de costume. Deixamos de lado a vontade pelas camisetas e fomos nos entorpecer com espetinhos de carne de cotovelo de boi, ao meu ver, pois estavam realmente…estranhos. Com certeza esse é o elixir da violência Skinhead. Ingresso na mão, revista esquisita feita e em poucos metros o passaporte para outro planeta.

Até nos acomodarmos dentro do estádio tivemos o privilégio de ouvir um pouco de “X”, banda de punk rock significativa surgida em 1977, que não chegou a ser lançada ao mainstream mas que ganhou reconhecimento por ser uma das lideres do movimento punk nos EUA. Ao final da apresentação dos punkers americanos, Eddie Vedder aparece ao público para fazer dueto com Exene Cervenka, vocalista do “X”, fazendo o tímido estádio rugir. Ok, foi bala conhecer uma banda punk que tem em sua história a participação de Ray Manzarek dos The Doors como produtor de um de seus ábuns, mas o que todos queriam, eram os Pearl Jam.


E com um atraso ridículo de pequeno, a banda foi surgindo ao palco, e sem delongas detonaram "Why Go" logo de cara, botando a galera pular muito alto. Em "Do the Evolution" fomos alavancados para frente, ficando alguns metros mais perto do palco, e o melhor…sem nenhum esforço! Depois de rasgar a voz com o energético "evolution, baby!", Eddie canta "Severed Hand" e "Corduroy", este ultimo impondo o grave costumeiro de sua voz. Tão costumeiro quanto sua voz, a sua preocupação com o conforto do público veio a tona quando em uma pausa e em meio a um bocado de papéis Eddie nos pergunta, em um português divertido, como estávamos. Estávamos muito bem cara! Depois de detonar "Got Some", "Low Light", "Elderly Woman Behind the Counter in a Small Town", o Pearl Jam faz o que sempre afirmou ter como unica intenção: fazer os fãs terem no que acreditar. E "Even Flow" foi tão poderosa que deixou a todos em transe, tocaram com mais energia que seus cds gravados em estúdio nos poderiam oferecer, surreal. Em meio a mais uma porrada de canções, Vedder para tudo e volta a conversar com os mais de 20 mil pessoas. Agora uma homenagem especial, Eddie Vedder cita o dia “11.11.11” e declara que sua esposa, Jill McCormick está em Seattle, de aniversário, e pede com sobras de carisma para que cantemos Parabéns pra você, em português mesmo, enquanto Vedder estourava uma champanhe e a exibia a câmera de alguém da produção que registrava o momento. Digno de Eddie Vedder. Seguindo o show com a balada "Just Breathe", "Oceans", que não havia sido tocada em nenhuma das três cidades por onde o Pearl Jam passou, emocionou a todos. Em "Rearviewmirror" mais uma surpresa, Vedder puxa um espelho de mão e faz com que o reflexo da luz consiga tal efeito onde ele atinge não só a galera próxima mas todos na arquibancada, buscando uma espécie de “ola”. Voltando aos papéis, o frontman faz uma sub-homenagem a Johnny Ramone, pois como ele mesmo nos conta, sua primeira estada no Brasil foi justamente com os Ramones, em 2001, no qual Vedder gravou toda turnê dos punkers americanos com uma câmera de mão. Vedder brinda o público com "I believe in Miracles", fazendo a galera se empanturrar de boa música. O concerto já passava das duas horas, estourando as 3h de alma lavada, mas ainda viriam "Black", "Last Kiss", "Jeremy", "Alive" e a música mais envolvente da noite "Rockin’ in the free World", que matou o pouco de voz que sobrava e finalizou uma noite que não precisava terminar. Das palavras de Vedder: “Já estamos com…saudades. E…prometemos voltar…”. Realmente, o 11.11.11 reservava algo muito especial para acontecer…

2 comentários:

  1. Oioi! tava show, concordo! fui pesquisar quando tu falou que era em rearviewmirror o espelhinho, pois jurava que era noutra música, e é: é em 1/2 full, quando ele canta "who's gonna save the world?!" entendi que fosse tipo uma procura por essa pessoa.. que talvez pudesse ser qualquer um de nós. Bonito isso! http://www.youtube.com/watch?v=zJSUc5ED5UE ;)

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  2. realmente fiquei em duvida qnt ao momento em que ele puxou o espelho, e por falta de informação acabei indo pelo titulo mais adequado. valeu pela correção!! abraço

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