31 de março de 2012

[Resenha] As influências do Heavy Metal - Álbuns "Lives" dos Anos 70`

Uma coisa que curto muito nas discografias das bandas são os álbuns ao vivo. Eles registram a performance da banda naquele determinado momento, numa determinada época. Fica uma audição além do registro de estúdio, que às vezes é frio demais, principalmente hoje em dia com demasiados overdubs. Nos anos 70 e 80, muitas bandas já gravavam praticamente ao vivo no estúdio, mas os registros com uma platéia ao fundo transpassa toda a energia de uma apresentação. 

As vezes é um show único, outras vezes uma coletânea de uma turnê inteira, mas o interessante mesmo é ver um repertório inteiro soando da mesma maneira, com a mesma pegada e timbragem. 

Para evitar os conhecidos overdubs nos álbuns ao vivo, procuro muito por bootlegs de qualidade, mas isso será assunto para uma próxima matéria. Hoje vamos ver os melhores álbuns "lives' de rock pesado dos anos 70, em ordem cronológica.

"Live At the Leeds" (1970)- THE WHO 


Este álbum é considerado como o maior álbum de rock ao vivo de todos os tempos, segundo a mídia especializada. O THE WHO estava chegando ao ápice da carreira com o lançamento do antecessor "Tommy", um álbum totalmente conceitual. Aliás, o THE WHO é a primeira banda de rock a fazer álbuns conceituais, chamados de ópera rock. Neste trabalho, além de músicas que compõem a sua discografia, temos no disco 2 da versão remasterizada a execução do álbum "Tommy" na íntegra. Foi também na turnê deste álbum que a banda fez a histórica apresentação no Woodstock 69`. A banda se manteve no auge por todo os anos 70`, mas se viu afundar nos anos 80` após a morte do lendário baterista KEITH MOON em 1978.

"Made in Japan" (1972) - DEEP PURPLE

Com o avassalador sucesso do álbum "Machine Head", veio este magnífico registro ao vivo da turnê. Um clássico e referência a todas bandas de som pesado do planeta. "Made in Japan" é um exemplo de como uma banda deve soar ao vivo: poderosa, precisa e criativa! Temos aqui um IAN GILLAN esbanjando talento com sua voz poderosa e de alcance absurdo. Improvisos magníficos de uma banda  super entrosada e com técnica de sobra. Um dos melhores registros ao vivo de todos os tempos.

"Slade Alive" (1972) - SLADE


É um álbum curto, apenas 7 faixas o compõe, mas já basta para mostrar o qual boa e importante era a banda SLADE nos anos 70. O curioso que destas 7 faixas 4 são covers. Na verdade o Slade costumava regravar músicas de outras bandas em seus discos, como "Born to be Wild" (Steppenwolf) em "Beginnings"(69) e "Move Over" (Janis Joplin) em "Slayed?" (72). Este álbum foi considerado um dos melhores álbuns ao vivo pela mídia britânica.

"Yessongs" (1973) - YES

Uma viagem só! Este álbum é uma obra prima! Aqui temos um dos maiores nomes do rock progressivo em uma performance de tirar o fôlego, principalmente quando se assiste o vídeo. RICK WAKMAN, um dos maiores mestres dos teclados da história e o mago STEVE HOWE mandando ver em linhas de guitarras complexas. "Close to Edge" executado com maestria por inteira, além de "Roundabaout" e "Siberian Kahtru", são os grandes destaques da apresentação. Outra coisa que chama a atenção aqui é incrível arte de capa e encartes desenhados pelo célebre Roger Dean, que desenhou grande parte das capas da banda

"Live 73`" (1973)- URIAH HEEP

Incrível como a banda soava pesada ao vivo em 1973. Guitarras furiosas e um orgão hammond comendo nas extremidades, além de uma cozinha competente fazendo o alicerce para a maravilhosa voz de DAVID BYRON. Versões arrasadoras de músicas como "Sunrise", que abre o show de forma magnífica, "Tears in my Eyes", "Gyspy", "Circle of Hands" e "Look at yourself". Além de um medley no fim do show com clássicos do rock, como ELVIS.

"Alive" (1975) - KISS

Outro grande clássico e um dos melhores "lives" dos anos 70 é o primeiro registro ao vivo da poderosa banda KISS. Recheado de grandes músicas que fizeram sucesso em seus 3 primeiros álbuns, a banda mostra toda a energia e fúria em suas 15 faixas distribuídas em um álbum duplo. "Deuce", "Strutter", "Hotter Than Hell", "Firehouse", "Parasite", "Nothin` to Lose", "Watchin`You", "100.000 Years", "Black Diamond", "Cold Gin", "Rock n`Roll All Nite" entre outras... que tal?

"All the World´s Are Stage" (1976) - RUSH

Uma coisa que sempre me impressionou no RUSH foi a incrível capacidade de fazer tantas coisas, tantas notas, preencher tanto o som com apenas 3 pessoas, um power trio. E é exatamente isso o que acontece aqui. 3 caras mandando ver sem frescuras, músicas complexas e longas como "2112" e "By-Tor and the Snow Dog", de forma limpa e precisa. Além de versões mais pesadas de "Bastille Day" e "Anthen". Audição obrigatória!

"The Song Remains the Same" (1976) - LED ZEPPELIN

Histórico! Este álbum traduz tudo o que o LED ZEPPELIN foi em seus tempos áureos. A performance da banda é incrível, um salvo para o mestre JIMMY PAGE e seus solos geniais. Este é talvez um dos únicos álbuns da banda que eu goste de verdade e ouça mais seguidamente, talvez por ele soar mais "barulhento', mais pesado e a voz de ROBERT PLANT não estar tão esganiçada. As versões de "Rock n´Roll", "Black Dog", "No Quarter", "Stairway to Heaven" e claro, o famoso solo de bateria de JOHN BONHAN em "Moby Dick", pra mim são as melhores neste disco.

"On Stage" (1977) - RAINBOW

Apesar de um álbum curto, com apenas 7 músicas em 6 faixas, e a produção do álbum não ser lá essas coisas, temos que aceitar que é um show de arrepiar os cabelos. RONNIE JAMES DIO ao vivo é impressionante. Neste álbum há a primeira e rara versão de "Still I´m Sad" com voz, já que a original é instrumental, e a ótima versão de "Mistreated" do DEEP PURPLE, cantada com maestria por DIO.

"Alive II" (1977) - KISS

Depois do estrondoso sucesso de "Alive!" o KISS lança o segundo álbum ao vivo intitulado "Alive II", Veja bem o detalhe, o KISS é tão fôda, e tem tantos clássicos e hits por álbum, que neste, as músicas não se repetem com o primeiro "Alive!". Ou seja, além de lançar 3 álbuns fantásticos em 2 anos, ainda lança um álbum ao vivo com 20 músicas sem repetir nenhuma das 15 do primeiro. Dá até para escutar os 2 álbuns e suas 35 músicas seguidas. (coisa de louco, heheh). Aqui você encontra as versões de "Detroit Rock City", "Love Gun", "Calling Dr. Love", "Christine Sixteen", "Shock Me", "I Stole Your Love", "God of Thunder", "I Want You", entre outras...

"It´s Alive" (1977) - RAMONES

1,2,3,4... Outro álbum ao vivo clássico, famoso e que fez história. Toda energia de uma das maiores bandas punk de todos os tempos. São nada mais, nada menos que 28 músicas, na maioria não ultrapassando os 2:00mim de duração, executadas quase que sem intervalos, uma marca registrada da banda que, diga-se, está impecável.

"Unleashed in the East" (1978)- JUDAS PRIEST

Este é primeiro registro ao vivo oficial do JUDAS PRIEST, e traz uma banda pesada e destruidora. Lembram do que eu falei na introdução sobre um repertório inteiro soando da mesma maneira, com a mesma pegada? É exatamente disso que eu estava falando! Aqui temos músicas antigas, dos primeiros álbuns soando mais pesadas, em suas melhores performances. Prova disso são as músicas "Victim of Changes", "The Ripper" e "Diamond & Rust" que aqui tem as suas melhores versões em toda a discografia e se tornaram clássicos graças a este álbum.

"Bursting Out" (1978) - JETHRO TULL

Um dos meus álbuns ao vivo favoritos! Este álbum mostra a performance de uma banda extremamente técnica e carregada de feeling. Um desfile de ótimas versões de músicas já consagradas da sua discografia, além de improvisações e versões inusitadas de músicas folclóricas executadas pela melhor formação da banda, comandada pelo maestro e leprechaun, IAN ANDERSON.

"If you Want Blood (You Got it)" (1978) - AC/DC


Clássico! O primeiro registro ao vivo do AC/DC mostra porque a banda é considerada a maior banda de rock de todos os tempos. Um show explosivo e canastrão! Aqui temos a poderosa guitarra de ANGUS YOUNG acompanhado da voz inconfundível do mestre BON SCOTT em versões clássicas de músicas como "The Jack" e "Whole Lotta Rosie".



"Two For The Show" (1978) - KANSAS

Com uma produção impecável e extremo bom gosto nos timbres e riffs, o KANSAS mostra todo o seu rock progressivo e pesado em um registro cheio de grandes músicas. O vinil original é duplo e contava com 14 músicas, mas graças a era do CD e da remasterização, o álbum ganhou um repertório completo do show com 24 músicas, um exagero para os "padrões progressivos" da época, já que grande parte das músicas ultrapassam os 7 mim de duração. Mas mesmo assim a sua audição é agradável e surpreende a cada acorde tocado.

"Live & Dangerous" (1979) - THIN LIZZY

Também considerado um dos melhores álbuns ao vivo de todos os tempos, ele chama a atenção logo de cara por sua produção muito acima dos padrões da época. A banda estava no auge e era considerado um "super grupo", influenciando diretamente bandas emergentes do NWOBHV. Músicas como "Emerald", "Massacre", "Cowboy Song", "The Rocker" entre outros clássicos, ganharam uma roupagem muito interessante e pesada. Há também um DVD deste show atualmente rolando por aí, que você pode conferir a performance enérgica de uma das maiores e mais influentes bandas de todos os tempos.

"Strangers in the Night" (1979) -  UFO

Este álbum foi gravado com o UFO em sua melhor fase. um registro histórico de uma grande e influente banda. Lembram daquela versão de "Doctor Doctor" que toca no começo dos shows do IRON MAIDEN? Pois é, pertence a este álbum. Pesado e bem produzido, ele traz um repertório de grandes pérolas da banda, como a já citada acima, "Let i Roll", "Natural Thing", "Mother Mary", "Lights Out" e "Rock Botton", em uma performance perfeita de MICHAEL SCHENKER e PHIL MOGG.


"Live in Europe" (1979) - URIAH HEEP


Não é exatamente um álbum oficial da banda, ele está mais para um official bootleg, mas sua qualidade sonora faz com que seja objeto de desejo de fãs e colecionadores dos trabalhos do URIAH HEEP, como eu. O que deixa ele tão especial é o fato de ser o único registro ao vivo de qualidade com o grande JOHN LAWTON nos vocais, pois ele deixou a banda no ano seguinte. É interessante ouvir clássicos da banda com melodias diferenciadas ao estilo LAWTON.


"Live Killers" (1979) - QUEEN


Fantástico!.. Nunca fui lá muito fã de QUEEN, mas este álbum em especial é muito bom de escutar. Mostra uma banda muito rocker, pesada e agressiva, com FRED MERCURY abusando dos drives, coisa que o QUEEN perdeu com o passar dos anos 80`, quando se tornou uma banda mais comercial. A versão de "We Will Rock You' com toda a banda é a melhor na minha opinião. Com certeza um dos melhores álbuns ao vivo da história!


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(Editor / Redator / Músico)



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