4 de maio de 2015

PAPO HEAVY: Carlos Zema - "A minha mente sempre esteve voltada em continuar em frente aqui nos Estados Unidos, ou em qualquer outro lugar onde fosse viável fazer a música acontecer."

Por JOÃO PAULO PRETTI
(Redator / Músico)
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Fazer carreira nos Estados Unidos nunca foi fácil para ninguém, mas isso não impediu que o vocalista CARLOS ZEMA fosse tentar a sorte no mercado mais concorrido do planeta. Com o nome estabelecido nos Estados Unidos, ele já gravou mais de 21 álbuns com diversos nomes de peso da cena Heavy Metal e a partir de agora você vai conhecer um pouco mais da carreira desse que é um dos vocalistas mais ativo dos últimos anos. 

HEAVYNROLL - O que fez você sair do Brasil e ir tentar a vida nos Estados Unidos?! 

ZEMA - Na época eu recebi uma proposta irrecusável. Na época o OUTWORLD era o dream team do Heavy Metal nos Estados Unidos. Minhas bandas no Brasil (Heaven’s Guardian e Vougan) estavam meio devagar e isso contribui para a minha decisão.

HEAVYNROLL - Quais dificuldades você passou antes de se estabelecer por lá?! Eu imagino que não tenha sido fácil... 

ZEMA - Nos primeiros seis meses eu só tinha o visto profissional, o que me limitava trabalhar com qualquer outra coisa que não fosse a música. Eu tinha um salário com o OUTWORLD e eu também não pagava para morar, o que tornava as coisas mais fáceis, mas mesmo assim eu tinha que ajudar a minha família no Brasil, meu irmãos, pois meus pais faleceram alguns anos antes. 
Eu trabalhei com tudo que você imaginar. Eu só não me prostituí! (Risos). Eu trabalhei com construção, em restaurante, como garçom... Enfim, eu trabalhei com tudo o que você imaginar mesmo.

HEAVYNROLL - O que foi o FAMECAST?! 

ZEMA - Foi um concurso internacional de bandas que aconteceu em 2007, quando alguém inscreveu o OUTWORLD sem nós sabermos! (Risos) Nós fizemos um vídeoclipe para uma música chamada "Warcry". Esse vídeo entrou na competição e as pessoas começaram a votar e nós fomos passando de fase. 
Nós ficamos em primeiro lugar no top 100, primeiro lugar no top 50 e primeiro lugar no top 25! Os votos giravam em torno de 200.000 mil votos! Foi algo bastante competitivo! Alguns amigos como JOHN PETRUCCI (Dream Theater) e JEFF LOOMIS (Nevermore e Arch Enemy) postaram apoio ao OUTWORLD nos sites das bandas deles, além do SYMPHONY X, que postou apoio pelo Facebook! Depois nós tocamos ao vivo na TV e o público continuou votando em nós, até que nós vencemos o concurso.  Sobre o dinheiro da premiação, eu gastei tudo com taxa de imigração e advogados para eu continuar nos Estados Unidos! (Risos).



HEAVYNROLL - Você disse que tinha desistido da música, mas logo depois surgiu o IMMORTAL GUARDIAN e atualmente essa tem sido a sua banda principal. O que aconteceu que fez você desistir da música?! 

ZEMA - Essa pergunta é difícil... Eu estou pensando em responde – la sem comprometer ninguém... Pode comprometer! (Risos)
Na época eu tinha vindo de uma sequência de calotes. De 2006 até 2009 eu tomei uns cinco calotes de festivais. Teve organizador que sumiu com o dinheiro, eu trouxe bandas de fora para tocar aqui e neguinho roubou equipamentos, sabe?! Equipamentos que eu tinha pegado emprestado de amigos meus. Tudo que você imaginar que aconteceu no cenário da música, de mais nojento, aconteceu comigo... 
Mas em 2010 eu fiz uma turnê ao lado do PRIMAL FEAR com o guitarrista METAL MIKE (Rob Halford e Sebastian Bach) pela costa leste dos Estados Unidos. Na bateria estava JOHN MACALUSO (TNT e Yngwie Malmsteen), e tudo isso viajando no mesmo ônibus com o PRIMAL FEAR. Nós aprontamos muitas coisas juntas nessa turnê que eu não posso contar! (Risos)
E logo depois eu gravei um álbum com METAL MIKE em New Jersey/NY, mas ele teve problemas de copyright por causa do ROB HALFORD, pois ele tinha contrato de exclusividade com o HALFORD. O álbum saiu depois de três anos... Foi muito complicado... 
E tudo isso foi muito complicado mesmo e me desanimou. Eu consegui um trabalho legal e eu investi em equipamentos para eu mesmo fazer as minhas gravações e ficar nisso, sabe?! Eu tinha tomado essa decisão, e depois de uma semana um tal de GABRIEL GUARDIAN bateu na minha porta dizendo de um tal de IMMORTAL GUARDIAN. Quando eu ouvi o som eu vi um guitarrista que tocava teclado ao mesmo tempo em uma velocidade insana! Até hoje eu nunca vi ninguém fazer isso! (Risos) Eu achei o som animal mesmo, eu topei fazer as coisas com eles e eu deixei o cabelo crescer de novo! (Risos)

HEAVYNROLL - Atualmente você tem excursionado com o próprio IMMORTAL GUARDIAN divulgando o EP "Revolution - Part 1". Nesse EP você tem cantado de modo mais agressivo, em alguns momentos até urrado mesmo, como pode ser ouvido no primeiro vídeo divulgado no site oficial da banda. Esse modo de cantar mais agressiva partiu de você ou partiu dos membros do IMMORTAL GUARDIAN?! 

ZEMA - Na verdade eu já gravei assim com o VOUGAN e com a primeira banda que eu tive, que era de Death Metal. Eu já cantava assim antes, então eu já tinha mais conforto em cantar assim. 
O vocalista anterior do IMMORTAL GUARDIAN também fazia uso de guturais, então eu apenas acresci melodias em algumas partes para dar mais criatividade para as músicas. Eu produzi um coral de 40 vozes, e nós regravamos o primeiro álbum com os meus arranjos, porque eu queria ter participação em todos os álbuns da banda, sabe? (Risos). O álbum se chama "Super Metal" porque os fãs da banda rotulam a banda assim, por misturar vários estilos.


HEAVYNROLL - O IMMORTAL GUARDIAN pratica o Power Metal bastante agressivo, lembrando em alguns momentos o DRAGONFORCE, porém ainda Power Metal. Como tem sido a reação do público nos Estados Unidos para essa vertente que não é tão popular quanto outras vertentes do estilo?! 

ZEMA - É impossível tentar entender o que acontece na cena Heavy Metal aqui, sabe?! Porque aqui têm festivais de Hard Rock, Heavy Metal, Power Metal que reúnem quase 70 mil pessoas.
Em 2009 o VOUGAN tocou em Oklahoma no Rocklahoma Festival e nós vendemos US$ 4 mil dólares de merchandising! Eu creio que o Heavy Metal aqui nos Estados Unidos nunca morreu, nunca parou! A dificuldade no underground são a quantidade de bandas, são 200 mil bandas por quarteirão! (Risos). A competição de bandas e também de estilos são muito grandes. Todos têm guitarras, baterias e tal, têm acesso fácil a equipamentos porque é barato. Com certeza aqui é o mercado mais competitivo do planeta, porém têm espaço para todos. 

HEAVYNROLL - Você tem se mostrado muito ativo, já tendo gravado 17 álbuns... 

ZEMA - Na verdade já são 21 álbuns. 

HEAVYNROLL - Qual deles você considera o melhor ou o mais importante?

ZEMA - O mais importante é sempre o último que nós fazemos! (Risos) Em termos de crescimento na minha carreira, o ponto alto foi eu ter trabalhado com o produtor PAULO ANHAIN no álbum "D.O.L.L." ( 2004 ) do HEAVEN´S GUARDIAN. Eu também gravei um Tributo ao STEEV WONDER com os músicos da banda dele! E quando eu estava no estúdio o pessoal do ZZ TOP também entrou no estúdio e eu tomei uma cerveja com o BILLY GIBBONS! (Risos)
Eu também gostei muito de ter feito o álbum "Mind Exceeding" do VOUGAN, pois foi a primeira vez que eu trabalhei com um grande amigo meu, guitarrista chamado LUIZ MALDONADO, que na minha opinião é um dos melhores guitarristas do mundo, que infelizmente foi muito pouco reconhecido no Brasil... 

HEAVYNROLL - Aqui no Brasil você também ficou conhecido por causa do VOUGAN, banda que reuniu ex-membros do DARK AVENGER, mas em 2009 você teve alguns problemas com os membros. O que de fato aconteceu?! 

ZEMA - O que mais pesou foram as divergências quanto a expectativa de vida. Eles queriam voltar para o Brasil por causa de família, namoradas e a minha mente sempre esteve voltada em continuar em frente aqui nos Estados Unidos, ou em qualquer outro lugar onde fosse viável fazer a música acontecer. 
A minha vida inteira eu dediquei a música. Eu nunca casei no Brasil. Eu tive um relacionamento de 8 anos e eu não casei porque eu queria levar a música ainda mais a sério, enquanto outros amigos de banda constituíram família. A maior divergência foi tentar faze-los acreditar na música como eu acredito. 

HEAVYNROLL - Então a banda chegou a morar nos Estados Unidos?

ZEMA - Sim. Eles moraram comigo em Austin (capital do Texas) por 5 meses. 

HEAVYNROLL - Qual seu método de compor?

ZEMA - Basicamente de dois modos: as músicas que eu escrevo e as músicas que outros músicos escrevem. Por exemplo, às vezes eu faço a parte instrumental e depois eu já faço a melodia e a letra, e às vezes eu faço a parte instrumental, porém eu vou desenvolvendo as outras partes a medida que a banda vai compondo os arranjos e tal. Eu prefiro compor a música inteira e depois os músicos vão preenchendo suas partes. 
Para mim, como vocalista, eu acho que a música gira em torno da melodia. Se uma música tem uma melodia legal, ela é uma música legal, mesmo que o instrumental não seja lá aquelas coisas. Por eu ser vocalista, eu acho que as músicas são mais interessantes quando elas possuem uma melodia legal.



HEAVYNROLL - Há algum tempo atrás BILL HUDSON, guitarrista também radicado há anos nos Estados Unidos, disse de forma forte e bastante sincera sobre as diferenças da cena Heavy Metal nos Estados Unidos para a cena no Brasil. E você, o que você vê de diferente e em quais pontos você acha que é preciso haver algum tipo de reestruturação?

ZEMA - Tanto aqui nos Estados Unidos quanto no Brasil está tudo errado. (Risos) Não tem nenhuma cena Heavy Metal perfeita. Enquanto na cena americana o músico está preocupado em trabalhar com music business, pois aqui é o mercado mais competitivo do planeta, no Brasil o músico está preocupado em fazer politicagem. (Risos)
Essa minha opinião é baseada em que, o músico no Brasil precisa correr atrás das coisas de forma muito mais agressiva que o músico nos Estados Unidos. 

HEAVYNROLL - Sem ficar em cima do muro: carisma ou técnica vocal, qual é o mais importante?! 

ZEMA - Eu acho que carisma é bastante ambíguo. Eu já conheci várias pessoas que eram consideradas carismáticas e no mês seguinte se tornaram inimigas públicas número um. Eu acredito que carisma vem com humildade e com respeito com as pessoas que você está se relacionando, não importa quem sejam. Eu entendi a sua pergunta e eu vou chegar lá...
Um não pode sobreviver sem o outro. Carisma exige humildade. O músico não vai desenvolver a técnica vocal quando ele acha que já está bom. Se ele acha que já é muito bom, ele não tem humildade, e consequentemente não tem carisma. E por si só tudo o que ele estudou não valeu de nada. 

HEAVYNROLL - Tecnicamente, como você se prepara antes de subir no palco?! 

ZEMA - Quando não dá tempo eu faço de 10 a 15 minutos de aquecimento vocal. Quando dá tempo eu faço de 20 a 30 minutos. Esse é o tempo perfeito para mim. Eu não bebo e eu não fumo antes dos shows. Apesar que eu não bebo mais, então não faz mais diferença, e eu nem fumo. Quando eu estou cantando eu só bebo bastante água, e eu tento dormir pelo menos 8 horas por dia, pelo menos mesmo! Esses são os principais cuidados. 

HEAVYNROLL - Você tem acompanhado as bandas do Brasil? Se sim, quais bandas você destacaria?

ZEMA - Eu fiquei bastante surpreso com uma banda que eu ouvi que canta em português. Projeto... ( pensativo )

HEAVYNROLL - 46.

ZEMA - Isso! Projeto 46! 

HEAVYNROLL - Na verdade é PROJECT 46, é em inglês. 

ZEMA - Legal! O HIBRIA para mim... Eu vou tirar o chapéu para essa banda! Tem uma banda de Stoner Rock chamada HELLBENDERS. Essa banda é fantástica! 
Tem algumas bandas mais antigas como KORZUS, ANDRE MATOS, EDUFALASCHI, RENATO TRIBUZY ( PQP! Rs... )! Eu sou muito fã da voz dele! (Risos) GUS MONSATO, NANDO FERNANDES, MÁRIO LINHARES... Mas eu vou tirar o chapéu para o HIBRIA mesmo, pois eles chegaram onde chegaram sem precisar entrar em panelinhas...



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