1 de junho de 2018

[Resenha] TITÃS - Doze Flores Amarelas - A Opera Rock - 2018

Confira a resenha da primeira e audaciosa Ópera Rock em 36 anos dos gigantes do Rock Brasileiro.



Lembro que, em 2016, o guitarrista Tony Belotto havia mencionado que a banda estava compondo uma Ópera Rock, ele chegou mesmo a mencionar influências da banda The Who. Na hora fiquei muito animado, ainda mais depois de ouvir os excelentes "Nheengatu" (2014) e "Nheengatu Ao Vivo" (2015), dois dentre os melhores álbuns já lançados pela banda.

Dividido em 3 partes, "Doze Flores Amarelas" foi lançado aos poucos, uma parte por semana nas plataformas digitais - Hoje tu encontra as 3 juntas em um único arquivo. O álbum conta a história de 3 mulheres; Maria A, Maria B e Maria C. Ambas foram a uma festa e foram estupradas por 5 homens e o enredo se desenrola a partir das consequências que o fato causou na vida de todos.

Confesso que fiquei um pouco decepcionado em uma primeira ouvida. Soou meio estranho aquela primeira parte, parecia que as músicas não faziam muito sentido e a sonoridade estava entre o Pop Rock e o Classic Rock, misturando letras em português com inglês... estranho... Na primeira parte, destaco as músicas "Nada Nos Basta", que faz uma bela introdução ao álbum de forma calma para depois evoluir para algo mais agitado, lembrando até mesmo Ramones em alguns moemntos; e "Me Estuprem", que se não fosse a letra pesada e polêmica, seria um Hit de rádios.



Na segunda parte, as coisas começaram a fazer mais sentido e ouvi-los seguido foi acostumando o ouvido a essa nova abordagem do TITÃS. Mesmo assim, deu pra perceber que é um álbum pensado para ser executado ao vivo, com performance teatral, como de fato vem acontecendo. Aqui, destaco as músicas "O Bom Pastor", que tem uma letra abordando religião e uma vibe meio rock nordestino, "Eu Sou Maria", que talvez seja a mais próxima das referências ao The Who, "Canção da Vingança", um rockão pesado e arrastado; e a também pesada "Personal Hater"



A 3ª parte, de longe a melhor das três, é mais pesada e densa, com toda a carga emocional de ódio, vingança e morte no desfecho da estória. Aqui eu ressalto as músicas "Me Chame de Veneno", rápida e pesada, uma sonzeira! A faixa título, "Doze Flores Amarelas" que é, inclusive, a melhor de todo o trabalho, com seu clima sombrio e arrastado, muito foda! E a mais pesada de todo álbum "Réquiem", ela lembra bem a pegada do álbum anterior.



Para concluir, "Doze Flores Amarelas - A Ópera Rock" está longe de ser ruim, mas não é uma obra-prima. É um ótimo registro obviamente, bem gravado e bem executado. Mostra que o TITÃS ainda tem lenha pra queimar apesar das recentes baixas, como o baterista Charles Gavin, que já não participou dos 2 últimos trabalhos, e agora Paulo Miklos, dando lugar a músicos de apoio, um deles, o guitarrista Beto Lee (filho de Rita Lee). 

As letras são explícitas e "na cara". abordam temas atuais da violência contra a mulher. As interpretações estão impecáveis por parte de Sérgio Britto, Branco Mello e até de Tony Belotto. Além deles, temos ainda 3 vocais femininos interagindo durante todo o álbum e até a própria Rita Lee emprestando sua voz nas partes narrativas. Recomendo!

Você pode ouvi-lo no link:
https://open.spotify.com/album/6nu7WFQL1KLzEUXAu4EJw4?si=ZOg_MGz1QEiK6NPkccUPAw



NOTA - 8,0
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TITÃS - Doze Flores Amarelas - A Opera Rock - 2018

Ato I
01. Abertura
02. Nada Nos Basta
03. O Facilitador
04. Weird Sisters
05. Disney Drugs
06. A Festa
07. Fim de Festa
08. Me Estuprem

Ato II
09. Interlúdio 1
10. O Bom Pastor
11. Eu Sou Maria
12. Canção da Vingança
13. Hoje
14. Nossa Bela Vida
15. Personal Hater
16. Interlúdio 2
17. De Janeiro Até Dezembro
18. Mesmo Assim
19. Não Sei
20. Essa Gente Tem Que Morrer

Ato III
21. Interlúdio 3
22. Me Chamem de Veneno
23. Doze Flores Amarelas
24. Ele Morreu
25. Pacto de sangue
26. O Jardineiro
27. Réquiem
28. É Você
29. Sei que Seremos

Formação
BRANCO MELLO - vocal, vocais de apoio e baixo
SÉRGIO BRITTO - vocal, vocais de apoio, teclados, piano, baixo
TONY BELOTTO - guitarra, vocal 

Membros de apoio
BETO LEE - guitarra
MARIO FABRE - bateria
CARINA SABBAS - voz
CYNTHIA MENDES - voz
YÁS WERNECK - voz

Participações especiais
JAQUES MORELENBAUNM - arranjos de cordas
RITA LEE - narrações





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